
Dando sequência a observação dos fundos estéticos e políticos que apareciam nas revistas de arte produzidas pela elite letrada de Curitiba, nesse texto observaremos a proximidade com que os intelectuais da virada do século XIX se colocavam em relação à antiguidade. Na visão desses grupos, ainda que o passado antigo tivesse uma considerável distância temporal, os artistas greco-romanos eram tidos como “mestres” que os legaram um passado de tradição a ser continuada, dessa forma, exprimem comparações, por exemplo, entre poetas paranaenses e poetas clássicos. Com isso em mente, lamentavam um presente decadente que se exprimia contrário aos seus desejos políticos e faziam um apelo à arte que, inspirada num passado “glorioso”, deveria resgatar a sociedade para um futuro ideal.
Em ensaio introspectivo, publicado postumamente na revista do Club Curitybano em 1894, Cunha Brito expressou pensamento semelhante ao de Azevedo Macedo, afirmando que a arte realizada para adular as instituições era uma arte corrompida, “É facto incontestavel que a voz da arte ainda não passa de um debil e fraco vagido entre nós, é bastante sabido que essa pobre filha do sentimento nacional tem arrastado uma vida de verdadeira engeitada (…)”. Utilizando-se da história como “a grande justiçadora da humanidade”, cita exemplos das “bellas artes”:

Em sequência, o autor conclui seu ensaio por denotar que a esthetica, como princípio do embelezamento da arte, é a “philosophia da fórma e da ideia, da razão e do sentimento.” Em outra edição da mesma revista, publicada no ano de 1893, encontra-se uma homenagem à um colaborador falecido, “Lycio de Carvalho”, no texto que o consagra, observa-se um exemplo do lugar que os letrados curitibanos se colocavam em :relação a arte ocidental antiga:

Na revista “A Penna”, em 1897, foi publicado um texto de J. Moraes intencionado a ser uma homenagem ao poeta Dario Veloso. Intitulado “A poesia”, a crônica, mais uma vez, expressa claramente visão saudosista de presente e passado. Pelas ideias de progresso e arte como forma de elevar o espírito humano cada vez mais ao processo civilizatório, J. Moraes, após denotar estar “em desacordo completo com aquelles que dizem que o “piston” de uma machina a vapor vale muito mais do que um soneto”, exprime:
Por último, em 1900, publica-se um texto na “Revista Azul” intitulado “Silveira Netto” em elogio ao poeta e escritor paranaense, sem autoria registrada, lê-se em um trecho:

Sendo assim, podemos observar determinadas concepções artísticas e filosóficas que circulavam nos ambientes da imprensa gráfica paranaense pelas palavras dos letrados em suas revistas. O passado antigo, nesse sentido, tomava forma de um tesouro guardado pela história, capaz de devolver aos indivíduos a beleza da arte e elevar o espírito da humanidade. Ao mesmo tempo que criticavam a decadência dos cenários em que viviam pela contradição da modernidade, buscavam, na poesia, na prosa e no teatro clássicos suas fontes de inspiração. Comparavam-se, em alguma medida, aos antigos artistas, e se dedicavam ao progresso da civilização idealizada que almejavam.
- Guilherme Bonh





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