
Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!
Dando continuidade aos textos do nosso eixo de pesquisa, hoje trataremos de uma outra forma de recepção do passado greco-romano nas revistas curitibanas: a presença de representações das liras entre as páginas de O Olho da Rua.
Esse foi um periódico publicado entre 1907 e 1908 na cidade de Curitiba, sendo organizado por Euclides Bandeira, nome do simbolismo local, José Guelbech, I. do Serro Azul, Rodrigo Junior, Roberto Faria, Gilberto Beltrão e Raul Guelbech. A sua principal característica residia em ser um material humorístico, sarcástico e irônico, repleto de caricaturas, constatações e críticas sobre a sociedade e política paranaense do início do século XX.
Nessa direção, encontramos uma forma interessante de recepção dos instrumentos musicais antigos. Ao inserir propagandas em seções especializadas, a publicação conta com a aparição da lira, instrumento musical popularmente conhecido por sua associação com os antigos gregos, nas publicidades da Casa Minerva.
Uma loja de instrumentos musicais, a Casa Minerva conta com pequenas chamadas de divulgação de seus serviços em diversas edições do periódico, entre 1907 e 1908. No entanto, é interessante notar como a partir deste último ano de veiculação da revista, algo parece ter acontecido com o estabelecimento comercial e seus padrões de propaganda. Isso porque o nome Casa Minerva não aparece mais associado a uma lira, mas sim a um violão ou uma viola, ao passo de o instrumento antigo agora estar associado a um novo nome das vendas e reparos instrumentais: J. Francisco Hertel.
Esse nome, anteriormente, já aparecia com motivos gráficos que pareciam querer recuperar o passado da Antiguidade. Porém, é no ano de 1908 que substituiu a arpa pela lira, consolidando suas referências ao mundo grego.
Em um estudo mais geral, podemos notar como essa recepção se dá em um movimento de figuração das liras como mecanismo de reforço de um ideal clássico de austeridade e sobriedade das artes musicais. A Casa Minerva, ao igualmente trazer em seu nome a marca da deusa das artes, do comércio e da sabedoria, parece concentrar na imagem uma proposta de tradição e, portanto, de seriedade para o seu estabelecimento. Uma concepção que, nas edições do ano seguinte, resulta ser igualmente o objeto de J. Francisco Hertel no uso da figura em suas propagandas.
Sendo assim, pela leitura dessas recepções nas páginas de O Olho da Rua, podemos encontrar uma linha de recuperação e evocação do passado greco-romano a partir desses instrumentos de corda antigos: o fortalecimento de imagens propagandísticas para comércios no ramo musical. Em paralelo, poderemos encontrar a presença dessas imagens junto à musicalidade dos poemas e das poesias, tema que será melhor discutido em nosso próximo texto. Até lá!
- Heloisa Motelewski



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