João Turin (1878-1949) foi um dos maiores expoentes do movimento Paranista. Junto com Frederico Lange, também conhecido por Lange de Morretes (1852-1954), e Zaco Paraná (1884-1961), foi precursor na utilização de elementos típicos do estado do Paraná, como o pinheiro araucária e o pinhão, na tentativa de criar um estilo típico para a arte paranaense. Nascido na cidade de Morretes e filho de imigrantes italianos, Turin iniciou a carreira artística em Curitiba e aperfeiçoou seus estudos na Bélgica e França. Produziu estátuas, relevos, bustos, pinturas, desenhos, projetos arquitetônicos, design de móveis e objetos, tornando-se uma figura proeminente no meio cultural da capital paranaense. Na sua obra é possível notar uma forte influência da cultura clássica, adaptada aos moldes regionalistas do movimento que ajudou a criar.
Segundo a historiadora Bárbara Fonseca (2022), o Paranismo foi um movimento cultural de caráter regionalista, da década de 1920, idealizado por membros da elite curitibana, políticos e artistas. Como o Paraná era um estado novo, criado em 1853 pelo imperador D. Pedro II, se fazia necessário o surgimento de uma identidade regional que abrangesse toda a população desta vasta região, e esta identidade se deu pela forma do Paranismo. A ideia era que os residentes paranaenses, mesmo os que não haviam nascido no estado, mas que o amavam e trabalhavam para que ele pudesse crescer, se identificassem com a identidade paranista. Devido a ausência de uma história local, foram criadas relações com a antiguidade greco-romana por meio das artes, da literatura e das festas populares, incorporando elementos locais para a construção de símbolos e mitos históricos.
O periódico Illustração Paranaense, editado entre os anos de 1927 a 1930, pelo jornalista e fotógrafo João Baptista Groff, foi um importante veículo para a divulgação dos ideais paranistas. A revista trouxe diversas inovações no que se refere a parte gráfica, e teve em João Turim um dos principais colaboradores. As referências aos antigos eram bastante frequentes em vinhetas, matérias, fotos e ilustrações, como é o caso da edição número I, de 1928, que apresentava o desenho da Columna Paranaense, uma estrutura arquitetônica aos moldes gregos, adornada com pinhas e pinhões, uma referência ao pinheiro do Paraná, árvore símbolo no novo estado que estava a surgir.

Revista Illustração Paranaense, ano II, número 1, 1928. Hemeroteca Digital Brasileira.
A Columna, mais tarde, apareceria na forma de escultura, sob o título de Capitel Paranaense, com quatro modelos distintos.
A Ânfora Paranaense foi outra criação de João Turim inspirada em motivos clássicos. A obra trás referência às antigas ânforas gregas, esculpida em forma do pinhão e adornada com folhas de erva mate. Nota-se a ausência de alças e assim como a coluna, pode ser vista na forma de ilustração e escultura. Na revista, as ânforas apareceram nas edições de número 8, de 1928 e número 1 de 1933, como vinhetas ilustrativas.

Revista Illustração Paranaense, ano II, número 8, de 1928 e ano V, número 1, de 1933. Hemeroteca Digital Brasileira.
Além das ilustrações, a obra de Turim apareceria na revista sob a forma de matéria. Na edição de número 3, de 1929, a coluna do jornalista Nestor de Castro destaca um baixo relevo do artista que havia sido adquirido pelo então governador Affonso Alves de Camargo, para decorar o Palácio do Governo. A obra trazia o retrato de um personagem bastante celebrado pelos paranistas, Bento Cego, também conhecido por Homero Paranaense. Nascido em Antonina (PR), em 1821, Bento era violeiro e contador e histórias, o fato de ser cego provocou a comparação com o Homero grego. Nota-se no imaginário do artista, que o trovador teria uma postura varonil e cabelos longos caídos no corpo.

Revista Illustração Paranaense, ano III, número 3, de 1929. Hemeroteca Digital do Brasil.
Turin, como colaborador da revista, articulou as imagens do pinheiro e do pinhão como símbolos do paranismo, da mesma forma que fazia referências ao passado greco-romano, como uma espécie de ancestralidade criada em torno do imaginário que circundava o movimento. Para além das páginas do periódico, o artista fez incursões pelos campos da arquitetura materializando as suas Columnas Paranaenses e utilizou a linguagem simbólica do pensamento na construção de móveis, pinturas e esculturas. A sua obra ficou conhecida, principalmente, pela escultura animalista (gênero em que é considerado um dos artistas mais importantes do país), e pelo seu papel central na construção do Paranismo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FONSECA, Barbara. Entre colunas e pinheiros: a recepção da antiguidade nas obras Paranistas de João Turin (1927-1930). 133 f. Tese (Doutorado em História) – Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba (PR), 2022.
LEITE, José Roberto Teixeira. João Turin: vida, obra, arte. Curitiba: Editora Nossa Cultura, 2014.
Fontes Documentais:
Hemeroteca Digital do Brasil.
- Alcindo de Paula




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